[TRADUÇÃO Kentaro Ito × GACKT: Entrevista Especial] Consultant — Shi o Shippitsu Suru Otoko — (コンサルタント ―死を執筆する男―)

No dia 7 de junho (domingo), estreia na WOWOW o dorama  “Consultant — Shi o Shippitsu Suru Otoko —” (コンサルタント ―死を執筆する男―.

Trata-se da primeira adaptação audiovisual de uma obra de literatura coreana (K-literature) feita pela WOWOW. O protagonista Isaki Yo, um homem comum que se transforma em um consultor especializado em “assassinatos”, é interpretado por Kentaro Ito, enquanto o misterioso Kurokawa Akimine, que mudará drasticamente o destino de Isaki, é interpretado por GACKT.

Realizamos uma entrevista especial com os dois, que atuam juntos pela primeira vez nesta obra. Os dois atores, que encararam seriamente esse suspense sombrio com um tema proibido, falaram bastante sobre seus sentimentos em relação à produção, histórias dos bastidores e os destaques do dorama.


O “impacto” do roteiro e a construção dos personagens

— Conte-nos como se sentiram quando souberam que participariam da obra e qual foi a impressão ao entrar em contato com a história pela primeira vez.

Ito:
No começo, quando ouvi a explicação geral da história, imaginei que fosse algo mais voltado para ação, em que eu mesmo sairia eliminando pessoas diretamente. Então fiquei empolgado pensando: “Ótimo, ação!”. Mas, quando li o roteiro, era algo completamente diferente…
A ideia de que o protagonista escreve um “roteiro de assassinato” e alguém em algum lugar executa exatamente aquilo era uma configuração que eu nunca tinha visto antes. Achei muito interessante.

GACKT:
Quando li o roteiro e confirmei o nome do meu personagem, a primeira coisa que pensei foi: “Essas falas não estão longas demais…?”

Ito:
Hã!?

GACKT:
Sério, não é exagero dizer que essa foi minha primeira impressão…
Na primeira leitura do roteiro, o Kentaro deixou escapar: “Ainda bem que essas falas não são minhas”.

Ito:
Ahahahaha. É verdade. O Kurokawa interpretado pelo GACKT tinha muitas falas explicativas, ele ficava falando o tempo todo no roteiro. Pensei: “isso deve ser difícil”.

GACKT:
Na hora pensei: “Será que vou conseguir decorar isso!?”
Até procurei no roteiro se não tinha outro papel pra mim (risos).

Ito:
Não, não, não existe outro papel que combine com o GACKT-san! (risos)

GACKT:
Enfim, minha primeira impressão foi que seria algo bem pesado.


— Durante a construção do personagem, houve algum ponto em que vocês se concentraram ou deram atenção especial?

Ito:
Eu queria deixar uma diferença clara entre o Isaki antes e depois de conhecer o Kurokawa.
Não apenas na aparência, mas também no tom de voz, na tensão e até na atmosfera que ele transmite. Queria mudar a ponto de parecer outra pessoa. Isso era algo que eu pensava sozinho, mas também fui construindo junto com o diretor através das conversas no set.

Felizmente, nos primeiros dias de gravação conseguimos filmar as cenas antes do encontro com o Kurokawa. Isso me ajudou a entrar no personagem gradualmente, o que facilitou bastante.

GACKT:
O Kurokawa é um homem cujas intenções são impossíveis de entender, e nem dá para saber se ele está sendo sincero.
Por isso, quis que todas as palavras dele soassem quase surreal, então procurei falar de forma propositalmente calma e neutra.

Mesmo quando parecia estar olhando para a pessoa, na verdade ele não estava realmente olhando… inclusive na forma de direcionar o olhar, tentei passar uma presença meio “flutuante”. Achei que, se ele não fosse um personagem assim, o drama não funcionaria.


— Ouvi dizer que, desde a leitura inicial do roteiro, o GACKT passou por bastante tentativa e erro.

GACKT:
Na verdade, na leitura inicial eu estava interpretando com uma voz bem grave.
Mas desse jeito o lado “assustador” acabava ficando forte demais. Então comecei a achar que, para transmitir mais uma sensação de “perigoso mas ambíguo”, talvez fosse melhor usar um tom mais leve e gentil.

Eu gravava a voz e mandava para o diretor perguntando: “O que acha desse tom?”. Fomos trocando bastante ideias até definir a voz final usada nas gravações.


Um set tão tranquilo que a equipe chegou a agradecer

— Conte-nos algum episódio marcante durante as gravações.

Ito:
A primeira cena que gravei com o GACKT-san foi a do encontro entre Isaki e Kurokawa num sebo. No instante em que o Kurokawa interpretado pelo GACKT entrou naquele espaço apertado, surgiu uma atmosfera extremamente estranha (risos).
Era muito forte a sensação de: “Definitivamente alguém assim não apareceria num lugar desses!”. Mas também achei que aquilo simbolizava o “começo” da obra. Afinal, a relação entre Isaki e Kurokawa, antes de Isaki entrar no mundo da consultoria de assassinatos, começa justamente naquele ambiente.

GACKT:
Desde aquela primeira cena no sebo, as filmagens foram tranquilas o tempo inteiro.
Minha impressão das cenas com o Kentaro é basicamente essa. Quase não tivemos refilmagens e não lembro de repetir diálogos várias vezes. Era sempre algo tipo: “Já terminou!?”.

Ito:
Sim, foi assim mesmo.
Isaki e Kurokawa tinham muitas cenas dentro do carro, né? Gravamos tudo isso em um único dia e, mesmo assim, terminamos umas oito horas antes do previsto.

GACKT:
Começamos de manhã e era para terminar às 19h ou 20h, mas no começo da tarde já estava tudo encerrado. Talvez tenha sido o dia em que a equipe mais agradeceu a gente.

Ito:
Depois disso eu até fui pra sauna (risos).
Acho que tudo fluiu tão bem porque o GACKT-san chegava com aquelas falas enormes completamente decoradas.

GACKT:
Eu praticava as falas todos os dias. Mesmo quando ia pescar ficava murmurando sozinho o tempo todo. Como eram explicações intermináveis sobre assassinatos, devia parecer uma pessoa bem suspeita (risos).


A comunicação entre dois atores que criaram sintonia rapidamente

— Conforme a história avança, a relação entre Isaki e Kurokawa também muda.

GACKT:
Se falarmos do Kurokawa, achei melhor não alterar muito o tom dele, independentemente de qual dos “dois lados” do personagem estivesse aparecendo.
Não importa sua posição, ele mantém sempre o mesmo tom. Além disso, ele não considera errado o que faz.

Ele fala constantemente em um nível acima de conceitos como “justiça” e “mal”, mantendo sempre o mesmo olhar sobre tudo.
Só houve uma única vez em que ele deixou escapar um pouco de sua verdadeira natureza: na cena do episódio 2 em que explica a “estrutura do mundo” para Isaki. Meu clímax terminou ali.

Ito:
No episódio 2!? Foi cedo demais! (risos)
Mas é verdade, o Kurokawa nunca perde a consistência.

GACKT:
Provavelmente algo aconteceu no passado dele…

Ito:
Já o Isaki, conforme vai escrevendo os roteiros, começa a perder as dúvidas e o “coração” que tinha originalmente, passando a encarar o trabalho num estado quase de vazio. Mas depois acontece algo que volta a mexer profundamente com suas emoções…
Durante toda a história, os sentimentos dele ficam oscilando.

Na cena final, quis expressar algo que apenas um Isaki que passou por todas aquelas emoções conseguiria entender. Algo que, para quem vê de fora, causasse a sensação de: “Que emoção é essa?”.
Foi difícil encontrar esse equilíbrio delicado entre não deixar tudo explícito demais, mas também não ficar sem expressão nenhuma. Trabalhei isso conversando bastante com o diretor.


— Apesar de ser a primeira atuação conjunta, ouvi dizer que vocês criaram uma grande sintonia. Como eram as conversas entre vocês nos intervalos das gravações?

Ito:
Conversamos muito no set. Mas 90% do conteúdo não pode ser contado aqui… (risos).
Ainda assim, graças a isso consegui relaxar bastante, e fiquei feliz porque o GACKT-san me tratou de maneira muito aberta.

Também tive a chance de perguntar sobre a vida pessoal dele. Sobre a vida na Malásia, por exemplo, ou até: “Como você costuma dormir normalmente?” (risos).
Na minha cabeça, eu nem conseguia imaginar o GACKT-san dormindo numa cama, então aproveitei para perguntar várias coisas.

GACKT:
Falamos sobre a vida na Malásia, treino, pesca, o que costumo comer…
Esses assuntos foram uns 5%. Os outros 95% não podem ser revelados aqui.

Ito:
Ahahahaha. Mas, no fim, são justamente essas conversas que aproximam os homens (risos).


— Houve algum momento em que pensaram: “Ainda bem que foi essa pessoa”?

GACKT:
O Kentaro fala claramente o que pensa.
Mesmo sobre o personagem ou os diálogos, é melhor alguém falar direto do que ficar rodeando por educação. Assim o trabalho anda mais rápido e o set funciona melhor.

Nesse sentido, a forma como ele conduzia tudo como protagonista, o ritmo e a velocidade, era muito agradável. Facilitou bastante para mim também.

Ito:
Muito obrigado.

GACKT:
Na atuação também pensei sinceramente: “Ah, então ele faz esse tipo de expressão” ou “ele é muito bom”.
Essas coisas são legais. E eu também senti: “Valeu a pena decorar todos aqueles monólogos enormes”.

Ito:
Nossa, fico muito feliz! É uma honra ouvir isso.
No começo eu me perguntava quem poderia interpretar Kurokawa, um personagem tão essencial para a essência da história. Então, quando soube que seria o GACKT-san, tudo se conectou perfeitamente na minha cabeça.

Desde a leitura inicial, ele já mostrava uma interpretação acima até mesmo do que eu imaginava para o Kurokawa, e isso me motivou ainda mais.
O carisma e a atmosfera que só o GACKT-san consegue transmitir… sinceramente, tanto como Kentaro Ito quanto como Isaki Yo, senti muita gratidão por ter sido ele. Acho mesmo que ninguém além do GACKT-san conseguiria interpretar Kurokawa.

GACKT:
E o recepcionista do hotel que aparece no episódio 1?

Ito:
Seria intenso demais. O GACKT-san roubaria completamente a cena (risos).


— Pessoalmente, achei que seria interessante ver um spin-off focado no passado de Kurokawa.

Ito:
Ah, realmente parece interessante!

GACKT:
No spin-off do Kurokawa, ele tiraria aquela luva preta assim pof… e a mão sairia revelando uma arma.

Ito:
Isso já virou completamente “Cobra”! (risos)


A música-tema escrita por GACKT dá ainda mais impacto à obra

— A música-tema é “FALL AGAIN”, um lançamento do GACKT após nove anos, escrito especialmente para esta obra. Que tipo de sentimento você colocou na composição?

GACKT:
Primeiro, pensei em criar algo que pudesse funcionar em qualquer ponto do drama e ainda impulsionar a narrativa dali em diante.
Também queria representar a linha emocional em que o protagonista, em meio aos conflitos, chega a um ponto sem retorno.

Mas se escrevesse isso em japonês ficaria dramático demais, então decidi usar letras em inglês para dar um ar mais afiado e intenso à obra.
Coloquei a imagem de instabilidade emocional, de alguém que parece encontrar salvação mas volta a cair outra vez.


— Houve algum pedido específico da produção?

GACKT:
Disseram apenas: “Faça do jeito que quiser”.
…E isso é justamente o mais difícil (risos).

Depois, quando ouviram a primeira demo, disseram: “Está incrível”. Então prometi: “A versão final vai ficar dez vezes mais incrível”.
Mas no caminho de volta pensei: “Não devia ter falado aquilo…” (risos).

O prazo era extremamente apertado, então fiquei ajustando a mixagem até o último momento. Hoje em dia muita gente escuta música com fones de ouvido, então tomei cuidado para que ela soasse impactante também nesse ambiente. Quero muito que as pessoas escutem tanto nos alto-falantes quanto nos fones.


— Qual foi a impressão do Ito ao ouvir a música?

Ito:
Parece até injusto resumir apenas dizendo “é incrível”, mas realmente é MUITO incrível!
Tem uma parte em que o estilo da música muda completamente, e senti que isso se conecta muito com a mente do Isaki.

Eu também sinto diariamente a importância da música em dramas e filmes, e desta vez estou extremamente ansioso para ouvir a faixa tocando dentro da obra.

GACKT:
Quero que usem a música de um jeito bem impactante.


— Por fim, deixem uma mensagem para os espectadores.

Ito:
Acho que os doramas da WOWOW têm uma liberdade muito grande de expressão.
Representações de cadáveres, sangue ou cigarro, por exemplo, dependendo da obra, podem se tornar elementos essenciais, quase como um tempero importante.

Poder retratar até esses detalhes é uma grande qualidade das produções da WOWOW.

Essa obra também aborda um tema pouco comum, e há muitos momentos tensos e cheios de suspense. Dá para aproveitar acompanhando pela perspectiva do Isaki, mas também acho que haverá momentos em que as palavras do Kurokawa vão fazer o público parar para refletir.
Acredito que seja uma obra que leva as pessoas a pensar em coisas que normalmente não considerariam no cotidiano.

GACKT:
Ultimamente ouço dizer que existem pessoas que assistem doramas em velocidade acelerada, e talvez isso aconteça porque os próprios criadores acabaram levando o público a isso.
Mas este dorama tem um desenvolvimento extremamente rápido. Se juntássemos os seis episódios, daria para transformar tudo em um único filme, de tão forte e enxuto que é.

Esse bom ritmo é uma grande vantagem nos dias atuais, e acho que a obra também será bem recebida no exterior.

Kurokawa fala muito sobre vida e morte de maneira filosófica. Ele explica calmamente que “justiça” e “mal” mudam completamente dependendo do ponto de vista, da posição, da religião, do país e da história.

Dentro da obra ele fala isso para Isaki, mas acredito que as palavras dele também vão atingir quem estiver assistindo.
É quase um questionamento dirigido a todas as pessoas que vivem na estabilidade e consideram aquele ambiente algo garantido. Então espero que assistam pensando também em como recebem essas palavras.

TRADUZIDO DE: WOWOW

Fotos: WOWOW

 

 

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